Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Domingo, 1 de Março de 2009
O olhar de uma mulher

Uma mulher quando olha para um homem
É um convite.
Pobre de quem pensa
Que é um convite só para o sexo.
Na verdade é um convite para outro universo;
Infeliz de quem acha
Que é um convite só para o namoro.
É um convite para outro mundo
De possibilidades de recomeços
Mesmo que não haja assuntos.
Mesmo que não haja beijos.
É um olhar incerto
Que revela o fluxo de energia
Que nosso coração de anjo e bruxo
Desenvolto em euforia amoral
Consome e estende a cada dia
E deixa fluir para o astral.
É um convite.
Pobre de quem pensa
Que é um convite só para o sexo.
Na verdade é um convite para outro universo;
Infeliz de quem acha
Que é um convite só para o namoro.
É um convite para outro mundo
De possibilidades de recomeços
Mesmo que não haja assuntos.
Mesmo que não haja beijos.
É um olhar incerto
Que revela o fluxo de energia
Que nosso coração de anjo e bruxo
Desenvolto em euforia amoral
Consome e estende a cada dia
E deixa fluir para o astral.
Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Diversão e cidadania em Recreio nas Férias.




O projeto "Segundo Tempo" do Governo Federal em parceria com a Secretaria de Esporte e Cultura do Município de Nova Iguaçú promoveu de 26/01 à 06/02/2009 nas escolas da prefeitura da cidade a colônia "Recreio nas Férias". O evento envolveu profissionais ligados ao esporte e à cultura na área da educação municipal no monitoramento de oficinas de recreação, pintura, além de atividades esportivas e gincanas para crianças e adolescentes. Também foi apresentado um vídeo de animação realizado por crianças da comunidade, alunas da Escola Livre de Cinema do bairro Miguel Couto.




Foram dias inteiros de diversão e cidadania, pois também foi realizado passeios turísticos à pontos históricos de cada bairro, como o de Vila de Cava, onde o Senhor Silas, morador da casa onde antes funcionava a antiga estação de trem de Vila de Cava, desativada desde 1966, nos contou a história do bairro.

Eu atuei na colônia como oficineiro de cultura nos bairros Prados Verdes e Vila de Cava. Mediante o aproveitamento das oficinas, pude produzir com as crianças e os adolescentes várias atividades. Uma delas foi o imenso painel de pintura inspirado em poemas de Tomás Antônio Gonzaga, Olavo Bilac e Augusto dos Anjos.
Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Monstro Teimosia

A vida é uma ilha flutuante
Sem porto fixo, sem norte.
Quanto mais se nada em sua direção
Mais ela foge.
O desejo vive nessa ilha.
Sedento, faminto, leproso.
Cego, banguela, horroroso.
Do alto mar já se vê o Morro do Pensamento
Onde as asas de Deus protegem a todos nós.
Atrás do morro vive um monstro bonzinho
Que estrangula
Mas só aperta e não machuca.
É o monstro Teimosia
Animal feroz que come as próprias patas
Para escapar da armadilha.
As patas são digeridas e defecadas.
Depois renascem firmes
Com as garras ainda mais afiadas.
E em todo esse emaranhado
Minha mais nobre atitude
Foi em cada lugar que passei ter deixado
Um pouco de meu pecado e de minha virtude
Monstro Teimosia que conta o irrevelável.
Monstro Teimosia que se transforma em noite
E nos banha de prazer e mistério.
O beijo que não se deu.
O sexo que nunca aconteceu.
Com o vento eu corro, pulo e rastejo.
Em qualquer brejo, em qualquer engenho.
Eu sopro em qualquer lugar
Mas ninguém sabe de onde eu venho.
E em todo esse emaranhado
Minha mais nobre atitude
Foi em cada lugar que passei ter deixado
Um pouco de meu pecado e de minha virtude.
Teimosia inexorável, soberba, sonhadora.
De gosto louco, bêbado, exótico.
Conivente com monstros depravados
Que se acariciam
Em frente à gigantesca tela plana de cinema erótico.
E quando as ondas duramente retardadas
Do mar Cáspio do meu riso
Baterem nas pedras moles da minha segurança
Eu vou me banhar num fumegante rio
Para que muito além do meu calcanhar
Seja meu corpo todo uma bonança.
Teimosia que não quer eu seja o sapo que se transforma em príncipe
Mas quer que eu seja o sapo que devora auroras.
Teimosia que não que que eu seja o cão
Que se faz de anjo de luz para iludir e enganar
Mas o cão que ladra para a luz da lua
Para acalentar o sono e sonhar.
E em todo esse emaranhado
Minha mais nobre atitude
Foi em cada lugar que passei ter deixado
Um pouco de meu pecado e de minha virtude.
Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
Louco Currículo



Quando o mundo foi feito
Eu era anjo mandado para cá
Para ajudar na arrumação das coisas
Depois virei cliente mesopotâmico
Depois virei escravo egípcio
Depois virei efebo ateniense
Depois virei cortesã romana
Depois virei serva feudal
Depois virei mercador renascentista
Depois virei escravo industrial
Hoje sou tudo isso ainda querendo ser artista
Sem casa, sem dinheiro
Só a vontade, só o sonho
So o devaneio, só a loucura
Mas nesse circo neoliberal
Que faz de mim palhaço
Eu navego em mares cansados
cansados de serem navegados
Mas nesse picadeiro aquecidamente globalizado
Eu não quero me cobrir em bandeiras
Me esconder em ideologias
Me enganar em filosofias
Pois eu só digo coisas que já foram ditas
E só escrevo coisas que já foram escritas.
Sábado, 12 de Julho de 2008
Ficções

Eu quero todos os sonhos
Eu quero toda as ilusões
Eu quero toda as mentiras
Eu quero toda as ficções.
Que venham os reis
Que se intrometam as bruxas
Que apareçam as princezas
Que renasçam os magos.

Vamos brincar de tudo
Que aceitemos as verdades lúdicas
Que trespassam o insosso da realidade
E sejam elas de utilidade pública.
Que o pensamento seja a máquina do tempo
E o chão palco abençoado
Onde nós atores indisciplinados
Captemos ondas de gozo e burilamento
Os personagens que ainda não nasceram
Se despregaram um dos outros
Onde até então se roçavam nus e inconscientes.
E partam para a ação intensamente.
Não os conheço, mas eles já gritam em meu ouvido
Querendo que eu dê-lhes a luz com meus dedos e minha mente
E eu finjo que os ignoro, enlouquecendo-os
E eles me enlouquecendo num só gemido.
São piratas, prostitutas, imperadores,
Gays, padres e doutores.
Monstros, príncipes, bandidos,
Donas de casas, crianças e mendigos.
Anjos, duendes e anônimos,
Fadas, ninfas do bosque e demônios.
Malandros, homens sérios, falsos morenos,
Verdadeira louras, falsas virgens, nós mesmos.
Sexta-feira, 11 de Julho de 2008
A maior tecnologia da educação.

Me pediram para fazer um poema sobre tecnologia e didática
Mas há tantas provas, tantos estudos, tantos exercícios
Que não consegui realizar a proeza de forma assim tão prática.
Me pediram para fazer um poema sobre didática e tecnologia
Mas há tantos problemas, tantos pensamentos, tantas técnicas
Que mesmo tentando buscar em vários discursos, em diversas teorias
Não teve como atrair as palavras e organizar as métricas.
Mas quando o tema bate na porta do pensamento
E este sente o fusco-fusco da inspiração
Nascem divagações, fantasias e teoremas
Que tomam seus contornos e invadem a imaginação.
Pensei então na imprensa, filha de Gutenberg
Na expansão marítima das Grandes Navegações, mãe da globalização
Na "Belle Époque", filha da industrialização
Na aventura intelectual da internet.
Descubro que entre o desenho da letra no quadro negro à giz
E a pintura da parede de pedra na caverna
Há o instrumento, a máquina, a mola propulsora e natural
Que pela emoção, pelo ímpeto, pela ousadia
Cria as diversas linguagens e atinge suas metas.
Entre o retroprojetor e o data-show
Entre o dvd e o vídeo cassete
Há uma força geradora que a vida conclamou
E em nossos valores o caminho remete.
Entre a disciplina, a cultura e a preservação
Entre a sabedoria, o conhecimento e o encanto
Eis a maior tecnologia da educação
Que é o próprio elemento humano.
Mas há tantas provas, tantos estudos, tantos exercícios
Que não consegui realizar a proeza de forma assim tão prática.
Me pediram para fazer um poema sobre didática e tecnologia
Mas há tantos problemas, tantos pensamentos, tantas técnicas
Que mesmo tentando buscar em vários discursos, em diversas teorias
Não teve como atrair as palavras e organizar as métricas.
Mas quando o tema bate na porta do pensamento
E este sente o fusco-fusco da inspiração
Nascem divagações, fantasias e teoremas
Que tomam seus contornos e invadem a imaginação.
Pensei então na imprensa, filha de Gutenberg
Na expansão marítima das Grandes Navegações, mãe da globalização
Na "Belle Époque", filha da industrialização
Na aventura intelectual da internet.
Descubro que entre o desenho da letra no quadro negro à giz
E a pintura da parede de pedra na caverna
Há o instrumento, a máquina, a mola propulsora e natural
Que pela emoção, pelo ímpeto, pela ousadia
Cria as diversas linguagens e atinge suas metas.
Entre o retroprojetor e o data-show
Entre o dvd e o vídeo cassete
Há uma força geradora que a vida conclamou
E em nossos valores o caminho remete.
Entre a disciplina, a cultura e a preservação
Entre a sabedoria, o conhecimento e o encanto
Eis a maior tecnologia da educação
Que é o próprio elemento humano.
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