"Marcio é maravilhoso

Marcio é divino

Marcio é moço fino

Rufino é homem com olhar de menino

Marcio é decidido

Marcio é mestre, brilha no ensino

Marcio é guerreiro...

E nesse Emaranhado Rufiniano, quero me emaranhar."

(Camila Senna)















sábado, 30 de novembro de 2013

Estação Nordeste








No sábado do dia 09 de novembro, passei a tarde interpretando Patativa do Assaré, Chico Science e Lêdo Ivo nos vagões do metrô do Rio da estação do Estácio até a Pavuna. E que eu estava participando do evento cultural Estação Nordeste onde eu e os poetas Augusto Guimaraens e Ana B que também representaram poetas nordestinos. Tudo sob a organização do também poeta e agitador cultural Lucas Viriato.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Lá Fora


Dizem pra eu tomar cuidado lá fora
Mas lá fora é um menino desamparado
Uma casa em área de risco
Um imigrante desabrigado
Um olho com cisco
Dizem que lá fora é tudo muito perigoso
Mas lá fora é um filhote recém-nascido
Um trabalhador atrasado no meio do engarrafamento
Um apaixonado desiludido
Uma sacola solta, flutuando no meio do vento
Dizem que lá fora é tudo muito ruim
Mas lá fora é um professor perdido
Uma criança sendo abusada
Um judeu incircunciso
Uma mulher sendo estuprada
Dizem para eu não confiar em ninguém lá fora
Mas lá fora é uma cama desarrumada
Um aluno esperando sua aula
Uma dona de casa abandonada
Um ateu tentando acreditar na alma
Lá fora também chora
Lá fora tem sua responsabilidade
Lá fora também adora
Lá fora tem sua fragilidade
Aqui dentro também é lá fora
Lá fora também é aqui e agora
Lá fora também é meu
Lá fora também sou eu
Marcio Rufino

sábado, 7 de setembro de 2013

Deusorixás






De repente
Surgem no território
Da minha mente
Os deusorixás
Que são fruto do amor
Dos deuses gregos
Com os ancestrais iorubás

Mítico cenário
Afro-arcaico
Que em seus ritos
Oferecem-se
Plantas, bichos
E até os próprios filhos

Entre guerras e sedições
Domínios e libações
Entre o irracional e o lógico
Entre o real e o mitológico
Há a necessidade
De se deflorar
A origem de todas as coisas
De definir o princípio
De tudo que se vê

A dificuldade de
Se reconhecer
No que não se entende
O desejo de intuir
O que não se pressente

Brasil,
Casa euro-africana
Acolhendo aristocratas,
escravos e estrangeiros
Em suas entranhas

Sangrando
A complexa narrativa
Fecundando
A herança corrosiva
Da mistura

Mitos mulatos
pululam de céus, ilhas e campos
De templos e terreiros
Abençoam e espraguejam
Nas cidades, favelas

E nas bocas dos formigueiros
No limite
Entre a ferida e o pus
Vingando a morte
De oráculos e vudus

Fazendo amor
Com deuses
E mortais
Com pessoas de carne e osso
E seres irreais
Cercados por
Pomba-giras e sátiros
Ninfas e arcanjos malandros
Que brindam
Com o vinho de Dionísio
E o sangue de Oxalá-Cristo
O limite
Entre o santo e o profano

E de repente
Surgem no território
Da minha mente
Os deusorixás
Que são fruto do amor
Dos deuses gregos
Com os ancestrais iorubás

Marcio Rufino


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sarau Donana de julho - 5 anos de Pó de Poesia

  • Valéria de Assis




    Gabriela Boechat





    Marrone

                                                                             
                                                                                   Slow da BF




    Vicentinho Freire


                                                                                Marcio Rufino



                                                                          Poeta Xandú




                                                                              Ivone Landim



                                                                               Dida Nascimento






    Iverson Carneiro




                                                  Átila Bezerra e a banda Gente Estranha no Jardim



                                                                      Camila Senna





    O coletivo Pó de Poesia nasceu do desejo da poeta, professora de Literatura e ativista militante lítero-cultural Ivone Landim em criar um grupo que além de ter na poesia falada a sua principal linguagem, também abraça-se outras expressões artísticas como o teatro, a música e as artes plásticas - além de interagir com outros movimentos culturais e se comprometer com as principais causas sociais de nosso tempo. Sendo assim em meados de 2008, Ivone - que já era oriunda do Desmaio Públiko, grupo de poesia que agitou a cena cultural da Baixada Fluminense na década de 1990 - num bate-papo com o músico Edu Carval no bar Floresta em Nova Iguaçú, resolveu por sugestão deste batizar o coletivo com o nome de um de seus poemas Pó de Poesia

    "Pó de Poesia

    Não envelheço
    Porque uso pó de poesia
    Assim as rugas se renovam
    E um novo tecido se tece.

    Uso pó de poesia
    Para retirar a poeira do esqueleto
    Ressuscitar o que está morto
    E dá um novo verso ao rosto.

    Uso pó que me leva às trilhas
    Ilhada que sou entre avó e filha

    Uso máscara
    E escondo as marcas de cada dia
    De um cotidiano sem graça.

    Uso pó
    Pra sumir e não achar
    A idade da poesia..."

    (Ivone Landim)


    Ivone, então, convidou o músico Dida Nascimento, o ator, poeta e educador Marcio Rufino, o poeta e pedagogo Jorge Medeiros, entre outros poetas, artistas e educadores da Baixada Fluminense para uma série de reuniões no bar Floresta, no espaço cultural Sylvio Monteiro e na Praça do Skate, os três lugares em Nova Iguaçú, para leituras e declamações de poemas de autorias próprias.Ivone também redigiu um incisivo e panfletário manifesto que passou a ser o lema do coletivo.

    Manifesto do grupo cultural "Pó de Poesia".

    O Poder da Poesia contra qualquer tipo de opressão.
    Que a Expressão Emocional vença.
    E que o dia a dia seja uma grande possibilidade poética...
    Se nascemos do pó, se ao morrer voltaremos do pó
    Então queremos Renascer do pó da poesia
    Queremos a beleza e a juventude do pó da poesia.
    A poesia é pólvora. Explode!
    O pó mágico da poesia transcende o senso comum.
    Leva-nos para um outro mundo de criatividade, imaginação.
    Para o desconhecido; o inatingível mundo das transgressões do amor
    E da insondável vida...
    Nosso tempo é o pó da ampulheta. Fugaz.
    Como a palavra que escapa para formar o verso
    O despretencioso verso...
    Queremos desengavetar e sacudir o pó que esconde o poema...
    Queremos o Pó da Poesia em todas as linguagens da Arte e da Cultura.
    O Pó que cura.
    Queremos ressignificar a palavra Pó.
    O pó da metáfora da poesia.
    A poesia em todos os poros.
    A poesia na veia.
    Creia.
    A poesia pode.

    ( Ivone Landim )

    Nesses cinco anos o Pó de Poesia teve a aquisição de mais integrantes como os poetas Arnoldo Pimentel, Camila Senna, Felipe Mendonça, Doris Barros, Valéria Assis, Anderson Lima, Idimarcos; o ator Ramide Beneret e a artista plástica Gabriela Boechat.

    A partir de 2010, o grupo passa a produzir e apresentar todo último sábado de cada mês o Sarau Donana no Centro Cultural Donana em Belford Roxo. O sarau sempre temático aborda temas pertinentes às atuais causas sociais como movimentos de diversidade racial, de mulheres e LGBT em meio a muita música, poesia e arte.

    "Falar de Homofobia em meio à Poesia.... nunca imaginei que essa junção pudesse dar certo! " Diz encantada a ativista militante do grupo LGBT AGANIM Marisa Justino.

    O coletivo Pó de Poesia não goza de nenhum patrocínio. Edita fanzines através de colagens artesanais feitas pela própria Ivone tem seu próprio blog http://po-de-poesia.blogspot.com/ e mantém parcerias com importantes movimentos culturais do Rio de Janeiro como Movimento Enraizados, Cineclube Buraco do Getúlio e Movimento Culturalista.

    E a festa de aniversário de cinco anos desta poética trupe não podia deixar de ter sido na última edição do Sarau Donana da noite de sábado do dia 27. Uma noite que o CCDonana homenageou o poeta Iverson Carneiro e os poetas-residentes Gabriela Boechat e Marcio Rufino.

    A noite foi encerrada com um eletrizante show da banda meritiense Gente Estranha no Jardim e um delicioso bolo de aniversário.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Cine Soneto



A tela gigantesca que brota na parede escura
Projeta em nossos olhos cenas de amor e de luta
Em clima incandescente que de forma quente tange
Sons que incitam histórias que vão do sexo ao sangue

Vida; roteiro inacabado de filme
Homens; personagens inverossímeis e às vezes firmes
Reflexos da risonha lágrima do trapalhão
Sob a lâmina da faca raivosa de Lampião

O foguete que fura o olho da lua
Explode no impacto do cinema falado
Almodovariano colorido de um pecado e sua rua

A lente da câmera indecente do fotógrafo
Lateja perplexa diante de minha alma seminua
Bastarda inglória incendiando o cinematógrafo.

Marcio Rufino

segunda-feira, 24 de junho de 2013

João e Maria: o musical












Muitos conhecem o famoso conto de fadas dos Irmãos Grimm onde um casal de irmãos são abandonados no meio da floresta pelo pai e pela madrasta propositalmente para morrerem de fome e acabam encontrando uma excêntrica casinha feita de bolo e pão onde morava uma bruxa que pretendia devorar os dois.

A história ganhou uma excelente adaptação para os palcos das mãos de Caiky Maia ator, autor e produtor da companhia teatral Martins Franco Produções. Na montagem dirigida por Célio Franco, João (Caiky Maia) e Maria (Andressa Oliveira) se perdem ao passear pela floresta e são enganados por dois corvos que se disfarçam de um porco e uma ovelha a mando da bruxa Malagueta (Lícia Duia) que pretende capturar as duas crianças para executar um misterioso plano que só é revelado no final da peça. Os dois corvos que são equivalentes aos dois passarinhos que no original comem as migalhas de pão que os irmãos vão deixando pelo caminho, nesta leitura do conto tem uma participação muito especial e divertida e são interpretados pelos atores Bruno Zukoff e o blogueiro que vos escreve Marcio Rufino.

O espetáculo musical fez muito sucesso entre crianças e adultos na Lona Cultural Jacob do Bandolim em Jacarépaguá, no Rio de Janeiro. A próxima apresentação será no Teatro Raul Cortez em Duque de Caxias nos dias 3 e 4 de agosto. Vá, confira e se divirta.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mulheres brilharam no Sarau Donana de março






                                     A poeta e agitadora cultural Ivone Landim apresentou o Sarau          


Mara Ribeiro falou de sua Associação de Mulheres Negras Candaces

                                                       Ramide Beneret


                                                                  Marcio Rufino


                                                    Ivone Landim é homenageada por Marcio Rufino



                                                                       Doris Barros

                                   Doris Barros, Katia Nardi, Ivone Landim e Cássia Cabral


A cantora Jussara Gomes e o músico Bruno Oliveira


                                                            O músico Rodrigo Araújo


                                                 Mulheres dançam o jongo


                                               Ramide Beneret, Valnei Ainê e Dida Nascimento


                       
  Camila Senna




                                                            Ivone presenteia as mulheres



Março foi o mês da mulher e o coletivo Pó de Poesia e o Centro Cultural Donana realizaram na noite de sábado do dia 30 o Sarau Donana - Coisas de Mulheres. As poetas Kátia Nardi e Claudia Valéria Mikelloti foram as poetas especialmente convidadas e junto dos poetas do coletivo Ivone Landim, Marcio Rufino, Camila Senna, Ramide Beneret, Doris Barros e dos ilustres visitantes Matheus José Mineiro e o grande Wellington Guarany do Poesia de Esquina deram o tom da poesia nesta noite abençoada por uma doce chuva. A magistral cantora Jussara Gomes e os músicos Bruno Oliveira e Rodrigo Araújo abrilhantaram e encantaram a noite com grandes clássicos da MPB e a Associação Palmares contribuiu com um show de capoeira e de jongo.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Onírico Mutante







Meus sonhos são todos fragmentários
Onde personagens e ambientes
Mudam constantemente
Em momentos inesperados e fantasmagóricos.

Tudo se dilui e se refaz
Num sentido dinâmico e sagaz
Criando mosaicos virtuais
Com contornos reais.

Disso tudo só fica a angústia
De ser eu o mesmo nesta seara
Mutante, volúvel e anárquica

Doce e dolorosa como uma diáspora
Que me faz ser único numa apatia
Onde tudo que é concreto se evapora.


Marcio Rufino
Imagem: Ana Luisa Kaminski

quarta-feira, 13 de março de 2013

Gozo Chuvoso




O tesão da tempestade
Jorra a sua porra
Na cara da cidade

Marcio Rufino

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Poesia, MPB e dança cigana no primeiro Sarau Donana de 2013


Eud Pestana

                                                                              Ana Cajueiro


Roberto Lara


                             
                                      Alessandra David e a companhia de dança Kaminhoo Cigano
                                
                                                                Ivone Landim



                                                                    Dida Nascimento



Marcio Rufino


Camila Senna


                                                               Gabriela Boechat
                                                     

                                                                     Idi Campos



                                                                       Moduan Mattus


                                                                             Sil


                                                          Josy Louzada


                         A menina Marília recita José Paulo Paes sob os olhos orgulhosos da mãe Sil


                                            Pó de Poesia e Enraizados juntos e misturados




                                                                          Poeta Xandú
                    



O Desmaio Públiko foi um coletivo poético que agitou a cena cultural da Baixada Fluminense na última década do século 20. Seus poetas integrantes interpretavam suas performances de forma supreendentemente teatral nos bares, tomando de assalto a boemia da região. Foi para contar a história de sua formação entre outros momentos marcantes do já lendário grupo cultural que o poeta Eud Pestana - um de seus idealizadores ao lado de Cézar Ray - e sua companheira, a também poeta Ana Cajueiro, se apresentaram especialmente a convite do coletivo Pó de Poesia na edição de fevereiro que abriu o Sarau Donana do ano de 2013 no Centro Cultural Donana, na cidade de Belford Roxo.

O sarau também teve a participação especial do cantor e compositor Roberto Lara que cantou e tocou diversas de suas composições. A educadora Alessandra David se apresentou com sua companhia de dança cigana Kaminhoo Cigano da Fundação Santa Sara de Kali, nos mostrando e contando um pouco da trajetória da cultura cigana na história da humanidade.

De resto o que rolou foi muita poesia com os poetas do Pó de Poesia como Ivone Landim, Marcio Rufino, Camila Senna, Idi Campos, Gabriela Boechat e do Desmaio Públiko como a própria Ivone, Eud, Ana, Moduan Mattus, Sil e a atriz Josy Louzada. A trupe do Movimento Enraizados Dudu de Morro Agudo, Slow da BF e Samuca Azevedo também prestigiaram o evento nesta linda noite de sábado.