"Marcio é maravilhoso

Marcio é divino

Marcio é moço fino

Rufino é homem com olhar de menino

Marcio é decidido

Marcio é mestre, brilha no ensino

Marcio é guerreiro...

E nesse Emaranhado Rufiniano, quero me emaranhar."

(Camila Senna)















sábado, 24 de abril de 2010

Rumo à solidão


Não diga o que eu devia fazer.
Só escute, se for capaz, as minhas palavras mudas.
Ouça, se for capaz, a dor que eu sinto sem gemer.
Sinta, se for capaz, o segredo que eu tenho sem nunca sabê-lo.

Não diga que tudo irá dar certo
sem antes me apontar o caminho mais curto para a solidão
e não diga
que a solidão não existe,
pois é, na verdade,
o próprio caminho a se trilhar.

Eu já não tenho mais nada a fazer
a não ser atravessar essas portas fechadas
e chegar ao outro lado
com aquela falsa sensação de vitória.

E não há uma vitória sem uma gota de lágrima
mesmo que seja invisível.
E não há uma gota de lágrima sem uma dor
mesmo que seja fraca.
E não há uma dor sem uma mágoa
mesmo que seja esperada.
E não há mágoa sem a morte de qualquer coisa que se amava
mesmo que não seja física.

E o meu próprio-amor-próprio
é a invisível e fraca espera do não físico
do abstrato e diluído no espaço
que está por trás daquilo que é sólido.

E o que é a solidão
a não ser esse ser não sólido
que vive a nos espreitar
num canto da sala?

Mas não há um amor-próprio sem um egoísmo
mesmo que seja domado.
Mas não um egoísmo sem uma raiva
mesmo que seja calma.
Mas não há uma raiva sem um desejo de destruição,
mesmo que seja tolerante
de tudo aquilo que é humano.

E a minha tristeza
é o tolerante e calmo domínio
que tenho sobre tudo aquilo
que é desumano em mim.

E o que é o caminho
a não ser essa estrada insegura e torta
sobre o tapete colorido da sala?

Não esperava essa agressividade
em tua cara.
Não contava com esse pouco caso
em teus olhos.
Não aguardava essa arrogância
em tua casa.
Não pressentia essa decepção
em meu peito.

Agora deixe despedir-me de tudo aquilo
que é vibrante e claro em sua essência
para que não haja nenhuma saudade
do que eu não tenha visto nesta descendência.

E assim sigo rumo à solidão
que não é depressão
e sim o som de uma densa música
e seu refrão.
E assim sigo rumo à solidão
que não é suicídio
e sim a esperança de uma longa felicidade
e seu início.



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8 comentários:

William Lial disse...

Em primeiro lugar, obrigado por sua visita ao meu blog e pelas palavras sobre meus textos. Em segundo, gostei do seu blog. Este poema, em especial, é muito bom, até poderia ser cantado. Senti certo ar de musical nele, como de uma letra melancólica. Virei aqui mais vezes e lerei outros textos.

Um grande abraço!

William

Nydia Bonetti disse...

Há muito tempo ouço este refrão, Márcio. Que belo poema, que belo blog! Estarei por aqui. beijooos.

M!sunderstood disse...

Olá, boa tarde

td bem?

que belo post!

tem selinho pra vc no meu blog

reflexo-da-alma.blogspot.com

abraços, atenciosamente

Tamires.

Primeira Pessoa disse...

gostei daqui, márcio.
vou voltar muitíssimo.

abraço grande e amizade do
roberto.

Vera Helena disse...

Sem palavras... Que poema forte. "E assim sigo rumo à solidão
que não é depressão
e sim o som de uma densa música". gostei muito! Gostei muito também do espaço, já há um tempo frequentado silenciosamente por mim.

Abraços,

Vera

romério rômulo disse...

márcio:
te cumprimento pelo blog, pelo seu trabalho e pela turma que te cerca.
um abraço.
romério

musicpris disse...

positive vibrations sempreeeeee!!!!

Hilton disse...

Belo poema! Lirismo autêntico! Satisfação por conhecê-lo. Um grande abraço!