"Marcio é maravilhoso

Marcio é divino

Marcio é moço fino

Rufino é homem com olhar de menino

Marcio é decidido

Marcio é mestre, brilha no ensino

Marcio é guerreiro...

E nesse Emaranhado Rufiniano, quero me emaranhar."

(Camila Senna)















quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Negritude


Eu sou negro
Quero que meu tronco
Seja seu corpo
E minhas algemas e grilhões
Sejam seu abraço.

Eu sou negro
E não quero que você
Me venda
Quero que você me entenda
Quero que minha presença
Seja o real navio negreiro
Que me liberte do negro afro
E me leve a um sentimento ladino
Me leve ao encontro do negro latino
Dentro do complexo quilombo-continente
Que há em mim.

Pois, então venha
Que ainda sou negro
E meu maior segredo
É que nem abolições, nem cotas
São remédios, nem apagadores
Não desaparecem com as dores
De um passado cruel.

Por isso sou negro
Porque não quero
Que falsos sorrisos e hipócritas políticas
Substitua chibatas
Quero que o amor valha
Para além do samba e da cocada
Para muito além da feijoada.
Pois minha alma é incolor
E ao mesmo tempo tem todas as cores
Possui todos os odores
Que podes supor.

E não há como ser negro
Sem um pingo de maldade
Sem um pingo de piedade
Dentro do quengo.

Pois venha
E quando quizeres me seduzir
Não serei mais um simples negro
E sim a noite que se fez em homem
Pra te possuir.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

5 comentários:

Chiquinha Menduina disse...

Lindo e emocionante poema querido amigo o negro... um ser puro de alma cor de ouro,, beijos
Menduiña

Janaina Cruz disse...

Marcio tua poesia é linda!

Não apenas fiquei encantada com ela, mas a coloquei num cantinho pertinho de mim.

Coloquei a poesia do beijo no meu mural do facebook, com seus créditos claro, amei...

To te seguindo no blog e no face, bjs e ótimo dia

Luconi disse...

Marcio pulei do Arnoldo para cá e me encantei com estes versos, menino que belo poema, puro, verdadeiro, falando-nos a alma, que sente,que sabe, o quanto foi hipócrita a tal abolição, o quanto foi necessário luta para os irmãos negros alcançarem um pouquinho do raio de sol, que é de todos, igualmente para todos, e não para uma plebe privilegiada, que exatamente por não merecê-lo acabam se consumindo uns aos outros, se ressecando neste sol que eles não sabem e não souberam dar valor, beijos Luconi

OceanoAzul.Sonhos disse...

Sentido poema, gostei imenso.

um abraço
oa.s

Unknown disse...

Eu também
não quero que você
me venda.
nem por necessidade dentro
deste complexo quilombo-continente.


Parabéns pelo blog,lindos poemas,
adorei.